Carioca,
nascida no Grajaú em 07 de setembro de 1932, filha de
Edmundo Pereira
Balthazar e de Martinha Pinel Balthazar, teve 4 irmãos.
Praticava o excursionismo e o alpinismo desde a adolescência,
até que os trocou por uma outra paixão: o vôo.
Formada pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro, em
Farmácia, exercia
suas funções no Hospital dos Servidores do Estado. Em 1967,
ao visitar o Aeroclube de Nova Iguaçu, com seu falecido
marido Sieghardt, decidiu que também faria o curso de piloto.
A intenção inicial era voar somente por esporte. A paixão,
porém, colocou idéias em sua cabeça, como a de trabalhar
profissionalmente, o que uniria dois interesses: ganhar
dinheiro e se aprimorar cada vez mais na aviação.
Em apenas 3 meses foi aprovada nos
testes de aptidão física, teórica e prática. Recebeu, então,
o brevê (licença) de piloto privado. Continuou fazendo suas
horas de treinamento no Aeroclube, até completar as 200
horas, para novamente submeter-se àquelas provas com a finalidade
de tornar-se piloto comercial. Cumpriu nova etapa, perfazendo
as 250 horas de vôo, sendo 40 de navegação (viagens), a
fim de fazer-se instrutora de pilotagem elementar. Submeteu-se
aos testes teóricos e práticos em duas aeronaves diferentes.
As manobras de vôo foram no Paulistinha P-56 e no Fairchild
PT-19, com algumas acrobacias. Existia até uma promessa
de contrato da Escola Livre de Aviação que não se concretizou,
porque esta encerrou, meses antes, suas atividades.
Habilitada a trabalhar como piloto
comercial e instrutora de vôo, partiu para procurar emprego,
sem imaginar quão sofrida seria sua busca na realização
de seus ideais. Uma grande batalha movida por preconceitos,
e até por perseguições pessoais, estaria a sua espera. O
mercado de aviação sempre foi competitivo entre os homens.
A chegada de um piloto-mulher seria uma ameaça, pois, além
do tabu, haveria o risco de invasão de novos concorrentes
no futuro: as aviadoras.
Em 1973, efetuou testes teóricos
e de capacidade física para piloto de helicóptero, sendo
a 1ª mulher a ser aprovada nas categorias privado e comercial.
Como não pode pagar as horas de vôo exigidas para o exame
prático, porque eram caríssimas, deixou de ter mais essa
opção na busca de um emprego. Havia recebido a promessa
de financiamento de uma empresa, para pagar em vôos, mais
não cumpriram o combinado.
Conseguiu voar por alguns anos sem
vínculo empregatício em várias empresas, como a Pluma Táxi
Aéreo, localizado no Rio e outras em São Paulo, Minas Gerais
e em Brasília. Em 8 de Julho de 1970, no bimotor
TWINN
BONNANZA, de propriedade da Construtora Brasil (sediada
em Belo Horizonte), foi consumado seu primeiro vôo comercial
ao lado do comandante Dornelles.
Foi instrutora de pilotagem elementar no Aeroclube de Nova Iguaçu, em 1973, meses antes de ser contratada pela Líder Táxi Aéreo, cuja condição de ingresso, na época, era ser aprovada no psicoteste do
NUISO. Nesta importante empresa, que possuia aviões e helicópteros, trabalhou dois anos, ganhando ótima experiência devido à grande freqüência de vôos.
Em 1975, ingressou na Top Táxi Aéreo
e foi completando as exigências necessárias para habilitar-se
à licença de piloto de linha aérea. Realizou os testes
no
CEMAL em 1973, o teórico no ano seguinte e o prático
em 1976. Não recebeu a carteira (licença) apropriada, e
sim a de piloto comercial sênior, de categoria inferior,
em razão de a legislação ter sido mudada no curso de seu
treinamento, com a retroatividade da Portaria, fato que
a prejudicou de forma definitiva.
Tudo ficou mais difícil após a dispensa
pela TOP Táxi Aéreo que se transformou em RIO SUL Transportes
Aéreos Regionais, poucos meses antes de sua saída. Voou
ainda como comandante na Companhia da Usina do Outeiro,
de Campos.
Fez curso na Embraer, em São José dos Campos e tornou-se a primeira comandante de Bandeirante. As dificuldades surgidas nessa empresa foram enormes, pois lá havia simpatizantes e também adversários preconceituosos, inclusive na própria diretoria.
Casou-se novamente em 1981, época em que iniciava o curso de Direito, que lhe daria mais subsídios, com a intenção de argumentar na luta por sua licença de piloto de linha aérea.
Até o ano de 1994, esteve em dia
com sua habilitação técnica, uma vez que alugava aviões
para as revalidações, até que se tornou inviável financeiramente.
Em janeiro de 2000, recebeu a licença de Piloto de Linha Aérea
pela qual lutou por 24 anos. É a 1ª a ser concedida a uma mulher
na América Latina.
***
Voou em 16 aviões monomotores, 18
bimotores e no turbo-hélice "Bandeirante" (EMB 110). Transladou
de São Paulo para o Rio, e vice-versa, várias aeronaves
do
DAC. Uma delas, o Ypiranga
PP-TJR, fez
sua última viagem, pois destinava-se ao Museu Aeroespacial
situado no Campo dos Afonsos (RJ) onde se acha exposto.
Informalmente, voou, assistida pelo Captain James Bruce, piloto de provas da Rockwell International, de Saint Louis, Missouri (USA), um jato de 13 toneladas, o Sabreliner de prefixo
N75-A, em maio de 1976. A viagem em que comandou o vôo foi no trecho Rio-São José dos Campos e tinha como passageiros, toda a diretoria da Top Táxi Aéreo.
Permanece ativa nos meios aeronáuticos, freqüentando as festividades abertas ao público, como Feiras, Exposições e mantém convívio permanente com os colegas aviadores nos aeroportos.
Escreveu livros narrando suas experiências
profissionais e, também a biografia de seu trisavô francês,
Dr. Philippe Pinel, considerado o
"Pai da Psiquiatria
Moderna". Expôs suas obras literárias sobre aviação
na
BIENAL do livro, ocorrida no Riocentro (RJ) em
2001 e em 2003.
***
|
Licenças
|
Número
|
Ano
|
|
Piloto
Privado
|
12.923
|
1968
|
|
Piloto
Comercial
|
3.046
|
1970
|
|
Instrutora
de Pilotagem Elementar
|
11
|
1973
|
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Piloto
Comercial Sênior
|
89
|
1976
|
|
Piloto
de Linha Aérea
|
2086
|
1976
|